BAHIA É 3ª NO PAÍS EM REGISTROS SEM O NOME DO PAI
Dados da Arpen-Brasil expõem avanço da ausência paterna no estado
O mês de agosto, marcado pelas comemorações do Dia dos Pais, também chama atenção para uma realidade preocupante na Bahia: o alto número de crianças registradas sem o nome do pai na certidão de nascimento.
Dados do portal da transparência da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) colocam a Bahia na 3ª posição nacional em número de registros com apenas o nome da mãe. O estado fica atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.
O cenário contrasta com os índices de paternidade divulgados pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019. Segundo o levantamento, 64,6% dos homens baianos com 15 anos ou mais são pais, percentual superior à média nacional. Para especialistas, isso demonstra que paternidade biológica não significa, necessariamente, presença na vida dos filhos.
Em entrevista, a coordenadora da Especializada de Família e Sucessões da Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA), Suellen Lordelo, afirmou que a ausência paterna está relacionada a fatores culturais e sociais, tendo o machismo como elemento central.
“Muitos homens não acreditam na possibilidade de gerar um filho em relações casuais e também têm receio das consequências jurídicas da paternidade. Ser pai não é apenas ter o nome em um documento”, explicou.
Segundo a defensora, o reconhecimento da filiação gera responsabilidades legais, como guarda, convivência e prestação de alimentos, o que afasta parte dos homens do registro formal.
Além das questões culturais, a DPE-BA aponta dificuldades práticas, como deslocamento até cartórios, organização de documentos e falta de acesso facilitado em municípios do interior. Para reduzir essas barreiras, a instituição mantém atendimento permanente para reconhecimento de paternidade.
Somente em 2026, a Defensoria registrou 694 ações de investigação de paternidade, sendo 109 investigações pós-morte, quando o suposto pai já faleceu. No primeiro semestre do ano, foram realizados 405 exames de DNA.
Durante agosto, a DPE-BA intensifica os atendimentos por meio da força-tarefa nacional “Meu Pai Tem Nome”, que concentra serviços de reconhecimento de paternidade, investigação e regularização de registros civis em razão do Dia dos Pais.
O levantamento reforça o debate sobre a responsabilidade paterna e o impacto da ausência do pai no desenvolvimento social, emocional e jurídico de crianças e adolescentes baianos.
