Há poucos dias para o segundo turno das eleições presidenciais.
Talvez a pergunta mais urgente seja: que futuro estamos ajudando a escolher?
Quando uma eleição parece se resumir ao “menos pior”, precisamos questionar o que estamos aceitando como debate político. Se o confronto de propostas dá lugar à troca de acusações, o eleitor assiste a um espetáculo e termina sem respostas sobre aquilo que realmente importa.
Quando a fé vira instrumento de pressão eleitoral e a diferença religiosa se torna motivo de hostilidade, perdemos também o respeito à liberdade de consciência. A religião pode orientar valores, mas nenhum líder deve se considerar dono do voto de quem o escuta.
Preocupa, ainda, o afastamento de parte da juventude. É compreensível o cansaço com a política, mas o desinteresse não impede que decisões sejam tomadas: apenas deixa que outros decidam. E, quando cada grupo olha somente para os próprios interesses, quem defende aqueles que têm menos voz?Precisamos avaliar propostas, conhecer trajetórias e confrontar promessas com atitudes. O que cada candidato já fez? O que pretende fazer? Como suas escolhas afetam a saúde, a segurança, a educação e a cultura? Uma decisão responsável considera nossa realidade, mas também a vida de quem mais precisa de políticas públicas.
Seu voto é seu. Não pertence ao seu cônjuge, ao seu líder religioso, ao seu patrão ou aos seus amigos. Ouvir opiniões faz parte da democracia; abrir mão da própria consciência enfraquece nossa participação nela.
O futuro não começa depois da apuração. Começa na responsabilidade com que fazemos nossas escolhas.
Informe-se, reflita e decida. O voto é individual. As consequências são coletivas.



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